Sexta-feira, 10 de Março de 2006

As Palavras

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

                   Eugénio de Andrade

 

Publicado por Moonlight_Isabell às 15:02

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2 comentários:
De Secreta a 13 de Março de 2006 às 14:28
É lindo lindo este poema. Adorei (re) ler :) . Beijitos.
De Maria João a 13 de Março de 2006 às 15:29
adorei o teu post, pois acho Eugenio de Andrade um dos Grandes.Uma beijoka e parabéns pela tua escolha

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